Quinta-feira, 17 de Março de 2011

 

Eu ando na praxe. Porquê? Boa pergunta.

Meti na cabeça que ia fazer a praxe. Ninguém cá em casa acreditava muito nisso, desatavam a rir-se de mim, que não tinha perfil para ser praxada. Mas que é isso? Que ninguém me diga o que posso ou não fazer! E para lhes mostrar a todos que estavam enganados, no primeiro dia de faculdade lá fui eu para o meio de mais de meia centena de caloiros com uma tshirt cor-de-laranja.

Bem, a verdade é que foram os elementos da praxe que mais me ajudaram quando pus os pés na faculdade pela primeira vez. Se não fosse uma Doutora do 2º ano super querida e simpática, provavelmente tinha demorado meia hora para encontrar a secretaria, mais meia para encontrar o serviço de informática, e pelo menos 1 hora para acabar o processo de matrícula. Com a ajuda dela, em meia hora fiz tudo isto, e ainda tive direito a uma visita guiada pela faculdade e um monte de dicas que me têm sido muito úteis.

Quero com este engonhanço todo dizer que nos primeiros dias, fui para a praxe toda contente, cantar músicas, voltar para casa com a roupa toda suja, que altamente!

Obviamente, esses tempo já lá vão.

Ultimamente, só vou à praxe porque a Calvin - caloira convicta, apaixonada por todo o conceito de tortura da praxe - me obriga. Tenho chorado de desespero enquanto os doutores nos berram, e tido pesadelos que envolvem lama, as minhas Nike branquinhas, e cambalhotas na dita da lama. O pior, é que isto não foi apenas um pesadelo.

Não sei porque continuo lá. Descobri que a praxe se assemelha em muitos aspectos a um grupo fascista - e sabe Deus o quanto eu desprezo os fascistas. Podem ter muito boas intenções, mas a verdade é que a maior parte das vezes tudo não passa de humilhção, dor, chantagem psicológica e muitos, muitos castigos por coisas que parecem perfeitamente aceitáveis do ponto de vista de uma pessoa normal. Além disso, percebi que a hierarquia é claramente dominada por homens. Aliás, é totalmente dominada por homens. Não existe nem nunca existiu uma única rapariga a ocupar os cargos superiores. Em toda a Academia do Porto.

Ora, isto não faz sentido. Não faz, ponto final. Já nada daquilo faz sentido para mim. Eles dizem que tudo isto só nos vai tornar mais fortes, mas caramba, eu só me sinto estúpida, por perder tanto tempo na praxe só para ser gozada e para passar a tarde de quatro.

Enfim, também não vou desistir, agora que falta apenas um mês para a Queima das Fitas. Agora vou até ao fim, vou comprar o traje, e vou desfilar no cortejo com aqueles sapatos que matam os pézinhos delicados de meninas como eu.

 

Isto tudo só para avisar, que se estão a pensar entrar em Psicologia no Porto nos próximos anos... Cuidado, porque há grandes probabilidades de eu me tornar numa Doutora frustrada e com muita, muita, vingança para espalhar.


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publicado por Petit Mimi às 22:50 | link do post | comentar

15 comentários:
De Sofia a 18 de Março de 2011 às 00:17
Desce para Lisboa. Aqui, os caloiros andam a perguntar quando é que podem ser praxados outra vez x)
mas já sabes...A praxe é dura mas é praxe.
Beijinho


De Babs a 18 de Março de 2011 às 10:10
Ainda estás em praxe?
Eu só tive praxe durante 1 dia e meio. ahah


De Petit Mimi a 18 de Março de 2011 às 12:21
no Porto, há praxe até Maio... É a única academia em que isto acontece. Pffff -.-


De Sílvia a 18 de Março de 2011 às 13:32
Não estás sozinha. Eu estou em Aveiro e cá também se praxe de Setembro a Maio; só acaba na altura da Queima, como aí.

Em relação à tua última frase, bem, é mesmo devido à transformação dos caloiros em Doutores extremamente frustrados que a praxe não morre ;) Mas uma pessoa não consegue evitar começar já a pensar na alegria que vai ser quando estiver do outro lado ;)


De Petit Mimi a 18 de Março de 2011 às 14:04
(Sílvia, tenho uma amiga que na primeira fase entrou em Psicologia aí em Aveiro, e quando lhe mostrei o teu blog, ela reconheceu a tua cara. O mundo é mesmo pequeno, não é? :p)

Não sabia que em Aveiro a praxe também durava o ano inteiro. Mas pelo que me contam os meus amigos que aí andam, eles todos AMAM a praxe de Aveiro. Em alguma coisa deve ser melhor que a nossa.

Pobres caloiros do futuro. Nem sabem o que os espera :p


De Sílvia a 18 de Março de 2011 às 15:08
Sem dúvida, é mesmo! Como se chama ela, se não é indiscrição? :)

Também é o ano todo, sim, mas é muito mais ligeira do que aí no Porto; pelo menos é a sensação com que fico depois de ouvir alguns amigos que aí andam. Cá é só às Quartas à tarde e, pelo menos no meu curso, os Veteranos (cá não há Doutores ;D) tentam fazer com que seja algo divertido, com jogos e esse tipo de coisas. Claro que nos sujam de cima abaixo, mas isso acontece em todo o lado.

Enfim, mas apesar de ser divertido chegamos a um ponto em que já cansa um bocado. Metem-se os trabalhos pelo meio e queremos é aproveitar ao máximo as poucas tardes livres que temos. :)


De Babs a 18 de Março de 2011 às 13:57
Isso é estranho, quer dizer, a praxe supostamente serve para integrar. Nesta altura do ano não sei se faz muito sentido :s


De Petit Mimi a 18 de Março de 2011 às 14:06
Para teres noção, na minha faculdade, os alunos que não estão na praxe são um grupo muito mais coeso que aqueles que estão na praxe, e que, à partida, deveriam ser muito mais unidos, ou como os doutores nos ensinam, deveríamos ser "todos um".
No entanto, já caloiros que pensam ser melhores que toda a gente (as particularidades fantásticas de sermos um curso maioritariamente composto por raparigas, não é) e não há lá muita união entre nós.


De Babs a 18 de Março de 2011 às 14:11
Graças a Deus, na minha faculdade não há essas parvoíces de grupinhos. Já tive a minha dose no secundário.
Quanto à praxe, também tive a minha dose naquele 1 dia e meio. Ao início teve piada mas quando me puseram a rebolar na relva, me abriram um ovo em cima e depois me iam obrigar a comer sem talheres (era 1 da tarde e eu só tinha bebido um copo de leite às 6h30 da manha)... adeuzinho.
Por acaso, tive sorte que antes da praxe tive dois dias com actividades de integração. Visitas pela faculdade, jogos, preencher as matriculas e arranjar horario e como estávamos divididos em grupos, deu para criar algumas ligaçoes.


De nao necessariamente anti praxe a 30 de Março de 2011 às 12:59
Para dizer bem e depressa: caga nessa merda, nao vale de nada. Dois dias para mim chegaram para ver que nao era naquele tipo de ambiente que ia arranjar amigos, e que para alem disso nunca conseguiria fingir respeito por "doutores" que nao passavam de uma cambada de crominhos. Tive muitos amigos sim, mas todos fora da praxe. Da praxe só me lembro dos cromos e de gente que pela primeira vez está a exercer poder, no thanks.


De S. a 1 de Abril de 2011 às 18:48
Também aderi, e não acho muita piada ao facto de passar horas de quatro o de três -.-'


De S. a 1 de Abril de 2011 às 18:51
Ah, em Viana do Castelo também é até Maio.


De maria cyrne a 5 de Outubro de 2011 às 21:10
A sério ? Foi assim tão horrivel? A minha prima andou lá e adorou a praxe... disse que a comparar com o que houve das outras faculdades a dela é maravilhosa. Agora isto foram as duas primeiras semanas, n sei cm foi o resto :p


De anónima das 01:03 a 18 de Março de 2012 às 01:03
O que tu dizes aqui é muito grave! E acima de tudo uma grande falta de respeito! Não digo que devas gostar da praxe - ninguém é obrigado a sentir as coisas com a mesma intensidade dos outros.
Agora, chegares a esta altura do campeonato e ainda te dignares a escrever isto? Desculpa que te diga, mas não sei o que andaste a fazer o ano inteiro...
Porque tu falas da praxe com tamanha leviandade, que isto nem cabe na cabeça de ninguém. Fazes dos doutores um bando de malucos que vestem um traje para gozarem com um grupo de burros que se sujeitam a certas coisas só pra se integrarem na vida académica. Mas isso é tão mentira!
Até agora a minha experiência de praxe tem sido uma constante surpresa, pelo nivel positivo! Se no inicio achava que berravam comigo à toa, por tudo e por nada, agora vejo um sentido e uma razão em todas as coisas que me dizem.
As pessoas que me praxam, já estiveram no meu lugar. Se me mandam por de 4, foi unica e exclusivamente porque eu mereci.
Porque acima de tudo a praxe transmite valores basilares como respeito, união e força. A praxe é uma metáfora da vida. Quantas vezes achas que não te praxam de forma muito pior?! A praxe deve ser o único sítio em que te praxam assumidamente! Na tua vida vais levar constantes sermões, levar com sermões de chefes estupidos e subsequentes bocas de colegas de trabalho rudes... Sabes o que ensina a praxe? Que podes ter que lidar com essas pessoas, mas que vais encarar tudo isso com o teu orgulho (de saberes que estares em determinado lugar porque o mereceste com o teu esforço) e com respeito (que te irá levar a não desceres ao nível de todos os filhos da puta que aparecerem à tua frente).
E também não é por não estares em praxe que vais deixar de ter amigos. Ninguém que esteja em praxe vai deixar de ser teu amigo por desistires.
A praxe não é gozo ao caloiro, não é só divertimento para os doutores e muito menos um mero acto de integração social. Se estás na praxe só pra vestir um traje, já sabes que não precisas de o fazer - O traje é académico.


Faz-te à vida rapariga. Cresce, e encara as coisas como elas devem ser encaradas. Não gozes com a cara das pessoas que vivem a praxe a sério, e não te praxes a ti própria : se não gostas, estás a torturar-te a ti própria, e mais vale desistires.


De whatever a 2 de Outubro de 2012 às 18:28
li tudo a pensar q eras uma pessoa às direitas até ao último paragrafo. ah sim, "como me fizeram a mim, tenho o direito de fazer aos outros", muito bem! parabéns!
santa estupidez.


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